Surto de ebola na República Democrática do Congo se torna o mais mortal da história do país

Epidemia já provocou 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados; número de óbitos supera o registrado no surto de 2018 a 2020

Foto: Reprodução

O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se tornou o mais mortal já registrado na história do país. Segundo dados atualizados até 16 de agosto de 2026, a epidemia provocou 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados, ultrapassando as 2.299 mortes registradas no surto ocorrido entre 2018 e 2020.

A atual epidemia foi oficialmente declarada em 15 de maio, mas investigações indicam que o vírus já circulava na região desde fevereiro, o que permitiu que a transmissão avançasse antes de ser identificada pelas autoridades sanitárias.

Cepa rara dificulta combate

O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola. Um dos principais desafios é que, segundo as informações mais recentes, não há vacina ou tratamento específico aprovado para essa variante.

Ensaios clínicos com possíveis vacinas e tratamentos estão em andamento, mas os resultados ainda estão sendo avaliados.

A taxa de letalidade também aumentou significativamente. Dados recentes apontam para aproximadamente 46%, um indicador que especialistas associam principalmente a diagnósticos tardios e dificuldades de acesso ao atendimento, e não necessariamente a uma maior agressividade do vírus.

Vírus já chegou a seis províncias

A epidemia começou na província de Ituri, no leste do país, e posteriormente avançou para outras regiões. Até meados de agosto, seis províncias já haviam registrado transmissão.

A expansão ocorre em áreas afetadas por conflitos armados, infraestrutura sanitária limitada e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Esses fatores complicam o rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados e o isolamento dos casos.

Por que o surto avançou tão rapidamente?

Um dos principais problemas identificados pelas autoridades foi o atraso na identificação da doença. Casos iniciais chegaram a ser confundidos com doenças como malária e febre tifoide.

A desinformação e a desconfiança da população em relação aos centros de tratamento também dificultam o combate à doença. Segundo relatos divulgados durante a crise, uma parcela significativa das mortes ocorre fora das unidades de atendimento.

Além disso, conflitos e dificuldades logísticas prejudicam o trabalho das equipes de saúde e o acompanhamento dos contatos.

Segundo surto mais mortal do mundo

Embora tenha se tornado o mais mortal da história da RDC, o surto atual ainda não supera a epidemia de ebola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Aquela epidemia deixou mais de 11 mil mortos e cerca de 28 mil casos, tornando-se a maior já registrada mundialmente. No entanto, a velocidade com que a atual epidemia congolesa chegou a mais de 2 mil mortes preocupa especialistas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que, se a transmissão continuar no ritmo atual, o surto na RDC poderá alcançar proporções ainda maiores.

Uganda conseguiu conter transmissão

O vírus chegou a atingir a vizinha Uganda, que registrou casos relacionados ao surto da RDC. O país, porém, conseguiu interromper a transmissão comunitária e foi declarado livre de ebola em julho, após registrar 20 casos.

O que é o ebola?

O ebola é uma doença viral grave que pode causar febre, fraqueza intensa, vômitos, diarreia e, em casos graves, hemorragias e falência de órgãos.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, além do contato com materiais contaminados.

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