
Um amplo levantamento científico confirmou que os rios da Bacia Amazônica abrigam mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce validadas pela ciência, consolidando a região como o ecossistema aquático com a maior biodiversidade do planeta. O estudo resulta de um esforço integrado de pesquisadores e instituições que compilaram registros históricos de coleções zoológicas e expedições de campo recentes por toda a calha dos principais rios e seus afluentes.
O número representa mais de 15% de todas as espécies de água doce conhecidas no mundo, reunindo desde espécimes gigantes como o pirarucu e o jaú até dezenas de pequenos peixes ornamentais e elétricos que vivem em igarapés e áreas de várzea.
Principais conclusões do levantamento
- Endemismo acentuado: Mais de metade das espécies catalogadas é endêmica, ocorrendo exclusivamente em bacias hidrográficas amazônicas e, muitas vezes, restrita a microbacias de difícil acesso.
- Margem para novas descobertas: Os ictiólogos estimam que centenas de espécies adicionais ainda não foram formalmente descritas pela ciência, principalmente em igarapés de cabeceira e canais profundos.
- Segurança alimentar e economia: A fauna aquática recenseada sustenta a subsistência de populações ribeirinhas e indígenas, além de movimentar cadeias produtivas vitais como a pesca comercial e a aquariofilia internacional.
Ameaças à integridade aquática
O estudo alerta que a riqueza biológica documentada enfrenta pressões crescentes. Fatores como a expansão de barragens hidrelétricas, a contaminação de sedimentos por mercúrio oriundo do garimpo ilegal, o desmatamento de matas ciliares e períodos de seca extrema alteram a vazão dos canais e ameaçam rotas migratórias essenciais para a reprodução dos cardumes.
Pesquisadores defendem que o banco de dados sirva de base prioritária para o planejamento ambiental, delimitação de áreas protegidas e formulação de políticas públicas voltadas à conservação dos recursos hídricos na Pan-Amazônia.


