Fila da Esperança: Quase 38 mil brasileiros aguardam por um transplante de córnea no país

Foto: Reprodução

A busca pela recuperação da visão coloca milhares de brasileiros em uma rotina de espera que pode durar meses ou anos. Dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), ligado ao Ministério da Saúde, apontam que o Brasil se aproxima da marca de 38 mil pessoas na fila por um transplante de córnea, o tecido transparente localizado na parte frontal do olho cuja perda de transparência ou deformidade pode levar à cegueira reversível.

Diferente de órgãos sólidos — como coração, pulmão ou fígado —, a córnea é um tecido. Isso confere ao procedimento vantagens logísticas significativas: ela pode ser captada até seis horas após a parada cardiorrespiratória e preservada em soluções especiais por até duas semanas em bancos de tecidos oculares. Ainda assim, a demanda segue descolada do ritmo de doações efetivas no país.

Fatores que travam a fila

  • Recusa familiar: A falta de autorização de parentes próximos no momento da abordagem hospitalar continua sendo o principal obstáculo para a captação de tecidos e órgãos no Brasil.
  • Desigualdades regionais: Há forte concentração de centros transplantadores e bancos de olhos nas regiões Sul e Sudeste, obrigando pacientes do Norte e Nordeste a enfrentarem deslocamentos ou filas locais mais longas.
  • Logística e notificação: Falhas na identificação de potenciais doadores em hospitais do interior e escassez de equipes capacitadas para a abordagem de famílias reduzem as chances de captação.

Condições como ceratocone em estágio avançado, distrofias corneanas, sequelas de infecções graves (como úlceras de córnea) e traumas físicos estão entre as principais indicações cirúrgicas. Com taxas de sucesso que ultrapassam 80% em cirurgias eletivas, o transplante representa uma cura prática para a perda de visão.

Pela legislação brasileira, a doação só ocorre com a autorização expressa de familiares de primeiro grau (pais, filhos, cônjuge ou irmãos). Por isso, campanhas de conscientização reforçam que a melhor maneira de reduzir a fila é a comunicação aberta: expressar o desejo de ser doador em vida ainda é o único caminho para devolver a visão a quem espera.

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