
Equipes federais de fiscalização flagraram indivíduos ateando fogo diretamente em áreas de cobertura vegetal no estado do Amazonas. Diante da constatação de ação humana deliberada em meio à estiagem severa, o governo federal anunciou a abertura formal de investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal (PF) para identificar e punir mandantes e executores.
Flagrante em campo e dolo identificado
Segundo declaração do ministro, os episódios deixaram de se enquadrar unicamente como queimadas acidentais ou descontrole de queimas tradicionais provocadas pelo calor extremo. As equipes de fiscalização — compostas por agentes do Ibama, ICMBio e forças de segurança integradas — registraram focos de ignição provocados propositalmente em pontos de vegetação e bordas de mata.
“Nossas equipes flagraram pessoas colocando fogo intencionalmente na vegetação. Isso não é apenas reflexo do clima; é crime ambiental tipificado e com claro dolo. Os responsáveis serão identificados e responderão judicialmente”, destacou o ministro durante pronunciamento.
A identificação dos suspeitos no momento da ignição reforça as suspeitas de que parte da fumaça densa que atinge os municípios do interior e a Região Metropolitana de Manaus decorre de ação criminosa coordenada voltada à grilagem de terras e consolidação de desmatamentos anteriores.
Linhas de atuação da Polícia Federal
A investigação aberta pela PF no Amazonas terá como foco:
- Mapeamento georreferenciado: Cruzamento de dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) para determinar os detentores das terras afetadas;
- Perícia de queima: Identificação de acelerantes químicos e padrões de propagação que comprovem ignição mecânica;
- Rastreamento financeiro: Apuração sobre a eventual contratação de intermediários para executar as queimadas, visando responsabilizar os mandantes econômicos;
- Articulação com o Ministério Público Federal (MPF): Solicitação de prisões preventivas e bloqueio de bens de infratores reincidentes.
Impactos socioambientais e reforço nas bases
O estado do Amazonas enfrenta um dos períodos mais críticos de vazante dos rios e seca prolongada, cenário que amplia a velocidade de propagação do fogo e dificulta o deslocamento de brigadistas em áreas remotas.
A fumaça acumulada eleva índices de poluição do ar a níveis perigosos, sobrecarregando o sistema de saúde com atendimentos por síndromes respiratórias, principalmente entre crianças e idosos.
O Ministério informou que, além do processo investigativo criminal, enviará reforços de brigadistas adicionais e aeronaves de combate a incêndios para as regiões mais conflagradas do sul do Amazonas e da calha do Rio Negro, mantendo barreiras de fiscalização fluvial e terrestre em pontos estratégicos.


