
Um impasse institucional divide o governo do Estado do Amazonas e a União em meio ao avanço dos focos de incêndio e à crise da fumaça que encobre cidades amazônicas. A cúpula do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) afirma ter solicitado reforço federal em equipamentos, aeronaves e pessoal para conter os incêndios florestais, alegando que os pedidos foram recusados ou ignorados. Em resposta imediata, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) contesta a versão estadual e assegura que operações conjuntas e recursos federais estão mobilizados na região.
A queixa da corporação estadual
Segundo representantes do comando do CBMAM, a intensidade dos focos no sul do estado — especialmente nos municípios de Apuí, Lábrea e Novo Aripuanã — exigiu pedidos formais de apoio extraordinário ao governo federal. Os militares relatam:
- Falta de aeronaves de grande porte: Dificuldade em obter helicópteros e aviões adaptados para lançamento contínuo de água sobre copas de árvores em áreas remotas.
- Sobrecarga de efetivo: Tropas estaduais atuando em regime ininterrupto, sem a chegada do reforço adicional de brigadistas solicitado aos órgãos federais.
- Gargalos logísticos: Demora na resposta a ofícios que solicitavam suporte de combustível, bases avançadas e equipamentos pesados de combate a incêndio.
Conforme a corporação estadual, a ausência do socorro tempestivo comprometeu o controle de focos em faixas limítrofes entre terras estaduais e federais.
A contestação do Ministério do Meio Ambiente
O Ministério do Meio Ambiente nega qualquer recusa de auxílio e sustenta que a atuação federal no Amazonas segue intensificada por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O MMA também ressaltou que a competência de combate em terras estaduais e áreas privadas é prioritariamente das forças locais, cabendo aos órgãos federais a priorização de Unidades de Conservação Federais, Terras Indígenas e assentamentos sob jurisdição da União.
Tensão política agrava cenário ambiental
O atrito expõe fissuras na articulação entre os entes federativos no momento em que a estiagem severa potencializa a propagação de queimadas no bioma amazônico. Especialistas em gestão ambiental apontam que disputas de competência e desencontros operacionais atrasam a primeira resposta aos focos de calor, permitindo que chamas rasteiras atinjam o dossel florestal e gerem as densas plumas de fumaça que sufocam a população urbana e ribeirinha.
Enquanto as duas esferas trocam justificativas técnicas e políticas, órgãos de controle, como o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), acompanham as ações e cobram a integração efetiva de comando para otimizar os recursos públicos disponíveis.


