Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus encaminhou mais de R$ 1,3 milhão para empresa fantasma, diz polícia

Anabela Freitas foi presa na operação Erga Omnes, deflagrada na sexta-feira (20), suspeita de envolvimento com o ‘núcleo político’ do Comando Vermelho no Amazonas.

Foto: Rede Amazônica

Para a Polícia Civil do Amazonas, a ex-chefe do gabinete pessoal do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), Anabela Cardoso Freitas, foi a responsável por encaminhar mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo para a agência de turismo Revoar, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que é a unidade de inteligência financeira do Brasil. Os valores não tem origem declarada, um indício de dinheiro ilícito e, segundo a polícia, a agência é uma empresa fantasma.

Anabela e o dono da agência, Alcir Queiroga, foram presos na operação Erga Omnes, deflagrada na sexta-feira (20) e que investiga o “núcleo político” do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. Além deles, outras 12 pessoas foram presas, sendo oito no estado. Nove investigados seguem foragidos, inclusive o chefe do grupo, apontado pela polícia. Ação também resultou na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos.

Em depoimento à polícia, Alcir Queiroga confirmou as informações da polícia sobre a movimentação financeira por parte de Anabela e afirmou que os valores foram usados para comprar passagens aéreas para viagens do prefeito David Almeida, dos seus familiares e de integrantes da cúpula do poder executivo de Manaus.

A Policia Civil concluiu que a agência de turismo é fantasma, porque ela não possui sede para atender clientes, não tem site e nem registro de compra de passagens em companhias aéreas. O único endereço disponível é o da casa de Alcir.

Segundo a polícia, Anabela movimentou dinheiro sem declaração de origem para uma facção criminosa e fez o mesmo para comprar passagens aéreas para membros da prefeitura e seus familiares.

g1 e a Rede Amazônica tiveram acesso ao depoimento de Alcir. Em 20 de fevereiro, ele afirmou que Anabela comprava passagens para outras pessoas, como o prefeito David Almeida, que ela pedia a emissão de passagens para o prefeito sair de férias e deu como exemplo a viagem ao caribe, no Carnaval do ano passado.

Na ocasião, Anabela comprou passagens tambem para a primeira-dama, Izabelle Fontenelle e mais dois parentes e que o pagamento foi à vista, em dinheiro, de aproximadamente R$ 34 mil.

A ex-chefe de gabinete também pedia passagens para o vice-prefeito, Renato Junior, e para outras pessoas da prefeitura. A maioria dos pagamentos era em dinheiro em espécie, com cédulas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100.

Alcir afirmou também que Anabela quase não viaja e que a maioria das viagens era para pessoas da prefeitura, sendo que a maioria dessas viagens era para o lazer e de parentes próximos. O investigado também disse que chegou a emitir passagens para o subsecretário de obras, Valcerlan Ferreira Cruz, também pagas em dinheiro.

Em um depoimento complementar, realizado no sábado (21), ele acrescentou que os valores pagos em dinheiro vivo eram de R$ 15 mil a até R$ 40 mil e muitas vezes emitidas em regime de urgência.

A maioria dos destinos era São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e quando o prefeito viajava, dificilmente ia só, sempre acompanhado de amigos, segurança, assessores e parentes. Alcir também reforçou que os pagamentos eram feitos em dinheiro em espécie, e que agora teme por sua vida.

g1 tenta contato com a defesa dos demais citados no depoimento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Operação Erga Omnes

Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.

As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.

Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.

Por Alexandre Hisayasu, Rede Amazônica, g1 AM

Fonte: G1 AM

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