Feira cultural mobiliza estudantes em reflexões ambientais, povos originários

Foto: Reprodução

Mais de 800 estudantes do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) da Escola Estadual (EE) Osmar Pedrosa, localizada na zona norte de Manaus, participaram, nesta quinta-feira (11) da Feira Cultural pela passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho.

A programação reuniu salas temáticas organizadas pelos próprios alunos, que apresentaram pesquisas, maquetes, exposições e atividades interativas sobre sustentabilidade, povos originários, racismo ambiental, reciclagem, energias renováveis e conhecimentos tradicionais da Amazônia.

Idealizada pela professora de Geografia, Gracymar Araújo, a atividade foi desenvolvida ao longo de dois meses e envolveu professores e estudantes de todas as turmas do 6º ao 9º ano. Os temas foram definidos pelos docentes, e os alunos realizaram pesquisas na sala de informática da escola sob orientação dos professores-conselheiros para definir os subtópicos de cada apresentação.

Durante a feira, os visitantes percorreram as salas em formato rotativo, conhecendo diferentes abordagens sobre a temática ambiental. Entre os assuntos apresentados estavam a cultura dos povos indígenas, grafismos, instrumentos musicais, culinária tradicional, medicina da floresta, autores indígenas contemporâneos, lendas amazônicas, sustentabilidade, coleta seletiva, reciclagem, descarte correto de resíduos e racismo ambiental.

De acordo com a professora Gracymar Araújo, a proposta buscou ampliar a compreensão dos estudantes sobre questões que, à primeira vista, parecem separadas, mas que possuem relações profundas entre si.


Consciência social


Entre as apresentações que mais chamaram atenção esteve a sala temática sobre racismo ambiental. Os estudantes desenvolveram maquetes, encenações teatrais e exposições explicativas para demonstrar como a falta de infraestrutura e de políticas públicas impacta, principalmente, comunidades em situação de vulnerabilidade social.

A estudante Hadassa Gadelha, do 8º ano, contou que nunca havia ouvido falar sobre o tema antes da realização da feira. “Eu não conhecia o termo racismo ambiental. Durante as pesquisas, entendi que ele está relacionado às desigualdades sociais e à falta de infraestrutura que afeta principalmente populações negras, indígenas e moradores das periferias. Foi um assunto que abriu minha mente para questões que eu não observava antes”, afirmou a estudante.

Conhecimentos ancestrais


Outra temática que despertou o interesse dos estudantes foi a cultura dos povos originários. As salas abordaram aspectos como alimentação, medicina tradicional, grafismos, mitologia, línguas indígenas e saberes ancestrais transmitidos entre gerações.

Para a estudante Luna Souza, de 13 anos, do 8º ano, a oportunidade permitiu conhecer mais sobre elementos presentes no cotidiano amazônico. “O que mais me chamou atenção foi aprender sobre a culinária indígena, principalmente a da mandioca. É um alimento que eu consumo muito em casa e não imaginava o quanto ele está presente na cultura indígena. Também gostei de conhecer mais sobre a medicina tradicional, sobre a copaíba, a andiroba e o leite de amapá”, detalhou.

Entre as apresentações das outras salas, Luna disse que gostou da apresentação sobre energias renováveis. “Acredito que são as fontes de energia do futuro, importante que a gente conheça e fale mais sobre elas”, ressaltou Luna.

Além das apresentações desta quinta-feira, a culminância da Feira Cultural contará, nesta sexta-feira (13/06), com um desfile sustentável produzido pelos estudantes a partir da reutilização de materiais recicláveis, reforçando a proposta de conscientização ambiental desenvolvida pela escola.

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