Música, poesia e sons da Amazônia aproximam estudantes em Manacapuru

Foto: Reprodução

A cidade de Manacapuru recebeu mais uma etapa do Amazônia das Palavras – Quarta Edição, projeto que percorre municípios do interior do Amazonas promovendo oficinas literárias, atividades culturais e ações de incentivo à leitura e à arte em escolas públicas. A programação aconteceu na Escola Estadual José Seffair, reunindo estudantes, educadores e comunidade escolar em torno da literatura, da música e da formação humana.

Conhecida como a “Princesinha do Solimões”, Manacapuru é um dos municípios mais populosos do Amazonas, com cerca de 100 mil habitantes. Localizada às margens do Rio Solimões e ligada a Manaus pela Rodovia Manuel Urbano, a cidade carrega forte tradição cultural, marcada especialmente pelo Festival de Cirandas, além da relação cotidiana com os rios, a floresta e os sons característicos da vida amazônica.

Durante a programação do projeto, estudantes participaram de oficinas de produção literária, slam, cinema, animação, moda, música e outras linguagens artísticas. Entre elas, ganhou destaque a oficina “Música e Literatura”, conduzida pelo compositor, cantador e educador Thiago de Mello.

A arte como descoberta

Criado no interior da Amazônia, na cidade de Barreirinha, Thiago desenvolve projetos artísticos e pedagógicos guiados pela relação entre palavra, memória, música e território amazônico. Em sua oficina, os estudantes foram convidados a criar composições a partir de sons da natureza, objetos do cotidiano e experiências vividas na própria região.

A proposta partiu da ideia de que a arte pode funcionar como instrumento de descoberta pessoal e expressão criativa. “Quando a gente fala sobre educação, a origem da palavra remete a ‘tirar de dentro’. Não é colocar algo de fora, mas fazer com que os alunos percebam aquilo que já existe neles”, afirma o oficineiro.

Segundo ele, o principal objetivo da atividade foi despertar nos estudantes o sentimento de autoria e pertencimento artístico. “Muita gente pergunta quais autores eu trabalho nas oficinas. E eu sempre respondo: se eu conseguir, não vou trabalhar com nenhum, porque os autores e autoras estão sentados na minha frente. São os próprios alunos”, destaca.

Ao longo da oficina, os participantes utilizaram sons produzidos por objetos simples, referências da natureza amazônica e memórias auditivas do cotidiano para construir narrativas musicais e poéticas.

Para Thiago, a arte também ocupa um papel importante na formação emocional e humana dos estudantes. “A escola é um lugar de aprendizagem em muitas áreas, mas também precisa ser um espaço para falar da importância da arte, da poesia e da música como formas de expressão e transformação”, completa.

Música como forma de expressão

Entre os estudantes, a oficina despertou identificação imediata com a música e com o processo criativo. A aluna Isabel Miranda Conceição destacou o envolvimento da turma durante as atividades. “Estou aprendendo coisas novas sobre música e sobre composição. O professor é muito intuitivo, diverte a gente e faz com que a gente participe mais. A música ajuda muito a expressar aquilo que às vezes a gente não consegue falar”, relata.

A estudante também comentou sobre a relação afetiva que possui com a música no cotidiano. “Eu gosto muito das letras, das melodias, dos poemas. Muitas vezes a música fala por mim”, afirma.

Representando a direção da Escola Estadual José Seffair, a professora e pedagoga Sandra Mara Acioles destacou o impacto da programação dentro do ambiente escolar e a importância do acesso dos estudantes a diferentes experiências culturais. “Projetos como o Amazônia das Palavras ampliam o olhar dos estudantes e mostram que a educação também acontece através da arte, da música e da literatura. É uma oportunidade de despertar talentos, fortalecer a criatividade e incentivar os alunos a enxergarem novas possibilidades para o próprio futuro”, afirma, em nome da diretora da escola, Meiriane Ferreira Vieira.

Além das oficinas realizadas ao longo do dia, o projeto promoveu programação cultural gratuita aberta ao público durante a noite, com apresentações artísticas, exibição audiovisual, homenagens literárias e espetáculo circense com o Palhaço Xuxu.

Percurso segue pelo Amazonas

Após a passagem por Manacapuru, o Amazônia das Palavras segue para os municípios de Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de levar literatura, arte e formação cultural a diferentes regiões do estado.

Amazônia das Palavras – Quarta Edição é patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio da Cigás; promoção da Fundação Rede Amazônica. Realização da Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.

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