SUS na Floresta fortalece saúde em comunidades isoladas do Amazonas

Foto: Reprodução

O acesso à saúde avançou significativamente para os moradores de comunidades ribeirinhas no interior do Amazonas. Entre março e junho deste ano, o Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues”, localizado na comunidade do Ubim, na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Gregório, registrou 550 atendimentos assistenciais e 1.945 procedimentos de saúde.

A unidade, situada a cerca de 1.163 quilômetros de Manaus, atende uma população historicamente marcada pelas grandes distâncias e pelos desafios logísticos de deslocamento. Apenas no período analisado, as ações alcançaram moradores de 28 comunidades locais, incluindo Atalaia, Restauração, Extrema, Santo Amaro, Nova Esperança e Prainha.

A iniciativa faz parte do projeto SUS na Floresta, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Vale, com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). O projeto conta ainda com o apoio técnico da Prefeitura de Eirunepé, da Associação de Moradores Agroextrativistas da RESEX do Rio Gregório (Amarge) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).

Integração entre tecnologia e presença de campo

O modelo adotado combina o atendimento presencial com a tecnologia para superar as barreiras geográficas da região:

  • Atendimentos médicos e de enfermagem presenciais: 305
  • Teleatendimentos (médicos e enfermagem): 89
  • Atendimentos odontológicos: 156

Além das consultas, a equipe realizou a aplicação de 125 doses de vacina, a execução de 96 testes rápidos73 administrações de medicamentos, exames preventivos, curativos e cerca de 1.500 aferições de rotina (pressão arterial, peso, altura e temperatura).

“Agora temos a unidade, os medicamentos e a equipe de enfermagem. Quando a gente precisa, o atendimento está perto. Antes era muito difícil, mas agora está melhorando bastante.”

— Ana Francisca, moradora da comunidade do Ubim.

Cuidados com a população e valorização da floresta

Para a liderança da FAS, o impacto da unidade vai além dos números da saúde, conectando-se diretamente com a conservação ambiental e a qualidade de vida local.

“Este Ponto de Atendimento é muito simbólico porque está em uma região de difícil acesso. Esses investimentos fazem parte da nossa visão de cuidar de quem cuida da floresta”, destaca Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS. Ele pontua ainda que as ações de saúde são integradas a projetos de educação e geração de renda voltados a produtos da sociobiodiversidade, como açaí, jarina e banana.

Mickela Souza, gerente do Programa Saúde na Floresta (PSF) da FAS, ressalta a mudança de paradigma na gestão da saúde pública comunitária: “A nossa expectativa é trabalhar efetivamente com a saúde, e não apenas com o SUS atuando sobre a doença. Se conseguimos fazer no Rio Gregório, conseguimos fazer em qualquer outra região.”

Aprovação da comunidade

Além dos cuidados individuais, a unidade promoveu 11 ações coletivas de educação em saúde, voltadas à prevenção de doenças e orientação comunitária. A resposta dos moradores aos novos serviços refletiu-se nos índices de avaliação do período:

Indicador de AvaliaçãoÍndice de Aprovação
Atendimentos Presenciais98,1%
Infraestrutura Física da Unidade96,6%
Teleatendimentos e Teleorientações90,0%

O projeto SUS na Floresta segue atuando para estruturar e consolidar a telessaúde integrada ao Sistema Único de Saúde no Amazonas, capacitando profissionais locais e garantindo assistência contínua às populações ribeirinhas.

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