Maioria dos policiais transferidos responde por homicídio; operação foi marcada por tensão, protestos de familiares e resistência dos próprios detentos

Uma operação de grande mobilização realizada nesta terça-feira (12) marcou a transferência de 70 policiais militares presos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), instalada no quilômetro 8 da BR-174, em Manaus. A mudança encerra oficialmente as atividades do antigo núcleo prisional da corporação, localizado no bairro Monte das Oliveiras, e ocorre em meio a uma crise institucional desencadeada por falhas de segurança, denúncias de irregularidades e pressão do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).
Levantamento divulgado pelo Portal Você aponta que a maioria dos militares transferidos responde por homicídio, além de outros crimes graves, como tráfico de drogas, extorsão, corrupção e facilitação de fuga. A nova unidade foi estruturada para receber até 72 custodiados e funcionará em um prédio que anteriormente abrigava o antigo Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), nas proximidades do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), sob administração da própria Polícia Militar com apoio técnico da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).
A transferência acontece pouco mais de dois meses após a repercussão da chamada “saidinha” de 23 PMs presos, registrada em fevereiro deste ano, quando detentos deixaram irregularmente a unidade anterior, revelando fragilidades estruturais e operacionais no modelo de custódia adotado até então. O episódio motivou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o MPAM, a Polícia Militar e a Seap, que determinou a desativação do antigo presídio e a criação de uma nova estrutura com protocolos mais rígidos de segurança.
A operação desta terça foi marcada por momentos de forte tensão. Familiares dos policiais presos tentaram impedir a saída dos ônibus utilizados na remoção, bloquearam o acesso dos veículos e protestaram contra a mudança, alegando receio de que os militares possam futuramente ser encaminhados para unidades prisionais comuns. Vídeos registrados no local mostram parentes sentados em frente aos ônibus e confrontos verbais com agentes de segurança. Os próprios detentos também ofereceram resistência inicial, o que prolongou a operação por cerca de seis horas até que a transferência fosse concluída.
Segundo o promotor Armando Gurgel Maia, titular da 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp), a nova unidade representa uma resposta institucional às falhas identificadas no antigo modelo. A ação integra a chamada Operação Sentinela Maior, desdobramento da Operação Sentinela, que em março resultou na prisão preventiva de dois policiais militares suspeitos de facilitar a saída irregular dos 23 detentos.
Mais do que uma simples mudança de endereço, a transferência expõe uma crise mais profunda no sistema de custódia militar do Amazonas. O episódio reacende o debate sobre controle interno das forças de segurança, responsabilização de agentes públicos acusados de crimes graves e a necessidade de transparência na gestão de unidades destinadas a policiais presos. A expectativa agora é que o novo modelo consiga restaurar a credibilidade institucional e evitar novas falhas que comprometam a segurança pública no estado.


