
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez duras críticas à atuação do governo brasileiro no enfrentamento ao crime organizado internacional. Em documento presidencial oficial enviado ao Congresso norte-americano sobre o combate global ao narcotráfico, Trump declarou que o Brasil “falhou em confrontar” o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apontando que ambas as facções transformaram o território nacional em um entreposto logístico para a distribuição mundial de drogas.
O relatório anual identifica os principais países produtores e rotas estratégicas de trânsito de substâncias ilícitas pelo mundo.
Brasil como “hub global de cocaína”
No texto encaminhado aos parlamentares dos EUA, a Casa Branca sustentou que a atuação das duas maiores facções brasileiras ultrapassou as fronteiras regionais e assumiu dimensões de risco global:
- Acusação direta: O documento afirma expressamente que o governo do Brasil não conseguiu confrontar de forma eficaz o PCC e o CV, tratados na manifestação sob a classificação norte-americana de organizações de ameaça transnacional.
- Rota internacional: Segundo o memorando, as organizações converteram portos e rotas brasileiras em um verdadeiro hub logístico voltado ao envio em larga escala de cocaína para a Europa, África e outros continentes.
- Ameaça à segurança: O relatório descreve as facções como uma preocupação crescente à segurança e à estabilidade institucional, cobrando providências mais enérgicas das autoridades de Brasília.
Fora da lista formal, mas sob cobrança diplomática
Apesar da menção explícita e contundente às falhas no enfrentamento ao crime organizado, o Brasil não foi incluído formalmente na lista negra dos principais países produtores ou de trânsito primário prioritário de entorpecentes — relação que reúne nações como Colômbia, Bolívia, México e Afeganistão.
Ainda assim, o destaque negativo gerou repercussão imediata:
- Pressão por medidas duras: A Casa Branca reiterou a exigência de que o Estado brasileiro intensifique a cooperação, o controle de fronteiras e o estrangulamento financeiro dos comandos criminosos.
- Enquadramento de terrorismo: O tom adotado reforça a tentativa de Washington de equiparar facções de narcotráfico da América do Sul a grupos terroristas estrangeiros, tese que gera divergências diplomáticas com o Itamaraty.
Reação e soberania nacional
A classificação de facções locais como organizações terroristas por governos estrangeiros e as cobranças diretas à política de segurança pública brasileira costumam suscitar ressalvas das autoridades diplomáticas do país. Historicamente, o governo brasileiro defende que o combate ao crime organizado em seu território deve respeitar a soberania nacional, com foco na integração de inteligência policial, desarticulação da lavagem de dinheiro e cooperação multilateral, sem subordinação a sanções ou tutelas unilaterais externas.


