Empregados da Caixa rejeitam proposta salarial e decidem manter greve por tempo indeterminado

Foto: Reprodução

Os funcionários da Caixa Econômica Federal decidiram, em assembleias virtuais e presenciais realizadas por sindicatos em todo o país, rejeitar a proposta apresentada pela direção da instituição financeira para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Com a recusa das bases sindicais, a greve da categoria foi mantida por tempo indeterminado, impactando a rotina de agências, correspondentes e o atendimento ao público em diversas regiões do Brasil.

A proposta do banco, que previa reajuste salarial atrelado à inflação e ajustes em cláusulas de benefícios, não atendeu às principais reivindicações da representação dos trabalhadores. Enquanto as bases da rede bancária privada e de outras estatais fecharam acordos em rodadas recentes de negociação, os bancários da Caixa exigem avanços expressivos em itens específicos da carreira e nas condições estruturais do banco público.

Principais impasses na negociação

O descontentamento dos trabalhadores não se limita ao índice de reajuste nos salários e na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Segundo o comando de negociação sindical, os pontos de maior divergência envolvem:

  • Contratação de novos funcionários: A categoria denuncia sobrecarga extrema de trabalho, filas crônicas e pressão por metas, cobrando a convocação imediata de aprovados em concursos públicos e a realização de novos certames para suprir o déficit de pessoal.
  • Saúde Caixa: A reivindicação de que o banco arque com uma fatia maior no custeio do plano de assistência médica dos empregados e dependentes, afastando reajustes e cobranças que sobrecarregam os titulares.
  • Segurança e assédio: Implementação de medidas efetivas de prevenção ao adoecimento mental, revisão da cobrança agressiva de metas comerciais e melhorias na estrutura física e de segurança das unidades.
  • Função social do banco: Garantia de permanência de agências em municípios periféricos e do interior, além da defesa do papel da Caixa como operadora central de programas sociais, habitação popular e repasses federais.

Impacto no atendimento e serviços essenciais

Com a manutenção do movimento paredista, o atendimento presencial para serviços como abertura de contas, contratos de financiamento imobiliário e consultoria de investimentos segue suspenso ou com quadro bastante reduzido na maior parte das agências.

Por determinação legal, as unidades operam com contingente mínimo para assegurar a manutenção dos chamados serviços essenciais:

  • Canais digitais e autoatendimento: O aplicativo do banco, o Internet Banking e os terminais de autoatendimento das agências continuam em funcionamento para saques, depósitos, transferências e pagamentos de boletos.
  • Casas lotéricas e correspondentes: Seguem operando normalmente no recebimento de faturas, contas de consumo e saques de pequeno valor.
  • Benefícios sociais: Pagamentos prioritários do Bolsa Família, seguro-desemprego e PIS/PASEP são mantidos nos terminais eletrônicos e nas lotéricas conveniadas.

Uma nova rodada de mediação entre a Comissão de Empresa dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e a diretoria do banco está prevista para os próximos dias, sob expectativa de apresentação de uma contraproposta que destrave o impasse.

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