País mantém status de livre de circulação endêmica, mas reforça bloqueios vacinais, vigilância em fronteiras e busca ativa para conter reintrodução do vírus.

O Ministério da Saúde intensificou as medidas de vigilância epidemiológica e resposta rápida em todo o território nacional após o avanço expressivo de casos de sarampo nos Estados Unidos e em países vizinhos das Américas. O objetivo central da mobilização é proteger as coberturas vacinais e conter o risco de reintrodução e transmissão sustentada do vírus a partir de casos importados.
Apesar do sinal de alerta no continente, as autoridades sanitárias reforçam que o Brasil permanece classificado como livre da circulação endêmica do sarampo. A certificação foi concedida novamente pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no final de 2024, após anos de esforço conjunto para interromper surtos que haviam retirado o selo do país em 2019.
O cenário internacional e a pressão nas Américas
Mais de 95% dos casos confirmados da doença na região concentram-se em um grupo de cinco países: Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala e Peru.
- Estados Unidos: Enfrentam o maior pico de infecções anuais em décadas. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontam que mais de 90% dos infectados são pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal desconhecido, com grande incidência entre crianças e jovens de até 19 anos.
- América Latina e Fronteiras: A circulação ativa em países vizinhos eleva a probabilidade de entrada do vírus por vias terrestres e aéreas, demandando resposta ágil dos sistemas de saúde locais.
Medidas de contenção e vigilância no Brasil
A estratégia brasileira combina ações em pontos de entrada no país, busca ativa e resposta imediata a qualquer notificação suspeita:
- Resposta rápida em áreas de fronteira: Na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, equipes federais e locais atuam em conjunto na investigação de casos importados, rastreamento de contatos, coleta de amostras e bloqueio vacinal em até 48 horas.
- Vacinação em locais de grande fluxo: Municípios estratégicos e capitais intensificaram a imunização em terminais, aeroportos e espaços públicos de grande circulação.
- Estratégia da “Dose Zero”: Mantém-se a aplicação da dose adicional da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias em áreas de risco ou viagens, sem substituir o calendário de rotina previsto aos 12 meses (tríplice viral) e 15 meses (tetraviral).
Cobertura vacinal: o escudo contra novos surtos
A cobertura da primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) superou 93% no país, revertendo a trajetória de queda que o Brasil enfrentava nos anos anteriores. Ainda assim, o Ministério da Saúde alerta que cerca de 50 mil crianças brasileiras permanecem sem nenhuma dose registrada, o que impede a imunidade de rebanho ideal (fixada pela OMS em 95%).
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). A recomendação expressa dos especialistas é que qualquer pessoa com doses em atraso — em especial viajantes com destino ao exterior ou a áreas fronteiriças — procure um posto de saúde para atualizar a caderneta de vacinação.


