Satélite da Nasa registra densa fumaça de queimadas florestais no AM vista do espaço

Foto: Reprodução

Imagens capturadas por sensores e satélites da agência espacial norte-americana (Nasa) revelam uma extensão crítica da fumaça provocada por queimadas sobre o estado do Amazonas. Os registros obtidos pela plataforma Worldview mostram uma espessa camada de fuligem cobrindo centenas de quilômetros de floresta, avançando sobre rios e encobrindo Manaus e municípios vizinhos sob uma névoa cinzenta visível a centenas de quilômetros de altitude.

O registro espacial e o avanço da névoa

Disponibilizadas pelo sistema NASA Worldview, que compila dados orbitais em tempo real, as imagens mostram que os corredores de fumaça não se limitam a focos pontuais: formam uma mancha contínua que obscurece a vegetação amazônica e a bacia hidrográfica.

O avanço da pluma está associado à combinação do período seco na região com o aumento expressivo de focos de queimadas no sul do estado e municípios vizinhos, como Apuí, Novo Aripuanã, Lábrea, Autazes e Boca do Acre. As correntes de vento transportam os poluentes até a bacia do Médio Amazonas e a Região Metropolitana de Manaus, onde o material fica retido.

Qualidade do ar atinge níveis críticos

Em solo, os reflexos do que os satélites registram do alto aparecem diretamente nos medidores de poluição. Segundo monitoramentos do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a concentração de material particulado fino (PM2,5) superou 490 microgramas por metro cúbico ($\mu g/m^3$) em bairros da capital amazonense.

O parâmetro é considerado severamente tóxico, já que concentrações acima de 125 $\mu g/m^3$ já colocam o ar na classificação “péssima”:

IndicadorNível RegistradoLimite de Classificação “Péssima”
Material Particulado (PM2,5)Superou 490 $\mu g/m^3$Acima de 125 $\mu g/m^3$
Visibilidade AéreaReduzida severamente em Manaus e calha do Rio NegroNormalidade: Céu limpo / livre
Impacto PopulacionalAlta de atendimentos respiratórios e suspensão de aulas—

Impactos no cotidiano e orientações de saúde

A densidade da fumaça alterou a rotina nas cidades afetadas. Em Manaus, unidades de ensino superior chegaram a paralisar atividades presenciais, enquanto unidades de saúde registram elevação na procura por atendimento devido a irritação ocular, tosse seca, crises asmáticas e outras complicações cardiorrespiratórias.

Diante do quadro, especialistas e órgãos sanitários recomendam:

  • Uso de máscaras de alta proteção, como modelos PFF2 ou N95, caso seja necessário transitar em ambientes abertos.
  • Suspensão de exercícios físicos ao ar livre, evitando a inalação acelerada de fuligem.
  • Hidratação intensificada e manutenção de portas e janelas fechadas durante os horários de maior concentração atmosférica.
  • Umidificação de ambientes internos, utilizando toalhas molhadas, bacias d’água ou aparelhos umidificadores.

Brigadistas do Corpo de Bombeiros e agentes de fiscalização ambiental mantêm operações nas frentes de combate ao fogo no interior, enquanto os monitoramentos espaciais continuam sendo a principal ferramenta para mapear a dinâmica das queimadas no território amazônico.

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