Artista tratava um linfoma não-Hodgkin e deixa trajetória marcante que ajudou a projetar a axé music nacionalmente nas décadas de 1980 e 1990.

O cantor baiano Netinho, um dos nomes mais emblemáticos da história da axé music, morreu nesta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador. O músico estava internado em uma unidade hospitalar da capital baiana para o tratamento de um linfoma não-Hodgkin, câncer que atinge o sistema linfático. A causa da morte foi disfunção de múltiplos órgãos decorrente da evolução da doença.
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 12 de julho de 1966, Netinho personificou a era de ouro dos trios elétricos e das micaretas que tomaram o Brasil a partir do fim dos anos 1980.
Da Banda Beijo ao estrelato solo
Netinho iniciou sua trajetória profissional ainda na juventude, conciliando o curso de Engenharia Civil com apresentações musicais em bares da capital baiana. A projeção nacional começou em 1988, quando assumiu o microfone da Banda Beijo e emplacou o hit “Beijo na Boca” em pleno Carnaval de Salvador:
- Carreira solo (1993): Lançou o álbum Um Beijo Pra Você, conquistando discos de ouro e platina logo na estreia individual.
- O fenômeno “Milla” (1996): Gravada ao vivo em Aracaju, a canção composta por Manno Góes e Tuca Fernandes tornou-se um dos maiores fenômenos da música brasileira na década de 1990, rompendo barreiras regionais e figurando no topo das paradas por meses.
- Outros sucessos: Canções como “Menina”, “Preciso de Você”, “Fim de Semana”, “Estrela Primeira” e “Capricho dos Deuses” consolidaram sua agenda de shows por todo o país e no exterior.
Histórico de superação e bastidores
A trajetória de Netinho também foi marcada por desafios médicos complexos ao longo da última década. Em 2013, o artista foi internado após complicações no fígado e sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) durante o período hospitalar, o que comprometeu temporariamente sua voz e o manteve afastado dos palcos por quatro anos.
Após intensa reabilitação motora e fonoaudiológica, o cantor retornou gradualmente às apresentações e aos trios elétricos no Carnaval baiano. Nos últimos meses, porém, enfrentava uma nova batalha contra o câncer no sistema linfático.
Segundo comunicado divulgado por sua equipe, o artista viveu seus últimos dias sereno e grato pela conexão com o público: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”.
Despedida e homenagens
A morte do cantor mobilizou manifestações de pesar de artistas da música baiana, produtores culturais e fãs em todo o país. Informações a respeito do velório e do sepultamento serão divulgadas pela família e pela assessoria do músico ao longo do dia em Salvador.

