Simulações computacionais revelam que a perda gradual de massa e oscilações gravitacionais podem provocar colisões e expulsões de planetas antes mesmo da fase final de anã branca.

O fim do Sistema Solar pode ser consideravelmente mais caótico e precoce do que a astronomia clássica estimava. Um estudo recente publicado por astrofísicos detalha simulações computacionais de alta precisão que mostram como a transição do Sol para o estágio de gigante vermelha é capaz de romper o delicado equilíbrio gravitacional planetário centenas de milhões de anos antes da estrela se transformar em uma anã branca inerte.
Até então, o modelo amplamente aceito previa que o colapso estrutural das órbitas ocorreria apenas na fase terminal, quando o remanescente estelar tivesse perdido metade de sua massa. Os novos cálculos indicam, contudo, que o caos orbital tem início durante as fases preliminares de perda de matéria, quando ventos solares violentos começam a alterar a atração gravitacional central.
O efeito dominó da perda de massa
À medida que o hidrogênio no núcleo solar se esgotar — processo estimado para começar em cerca de 5 bilhões de anos —, a estrela se expandirá para a fase de gigante vermelha, engolindo Mercúrio, Vênus e, muito provavelmente, a Terra.
A pesquisa aponta que os efeitos colaterais desse inchaço vão muito além dos planetas rochosos interiores:
- Desancoragem gravitacional: Ao ejetar suas camadas externas em pulsos térmicos sucessivos, o Sol reduzirá sua atração sobre os corpos externos.
- Ressonâncias orbitais rompidas: Júpiter e Saturno, os gigantes gasosos que funcionam como os principais reguladores gravitacionais do sistema, sofrerão desvios milimétricos em suas trajetórias médias.
- Ejeção planetária: Essas perturbações acumuladas aumentam exponencialmente a chance de que Urano e Netuno entrem em trajetórias cruzadas, podendo colidir entre si ou ser arremessados diretamente para o espaço interestelar.
Janela para a evolução de sistemas extrassolares
A importância do estudo transcende as fronteiras do nosso próprio sistema planetário. Os telescópios espaciais, como o James Webb, têm catalogado com frequência fragmentos rochosos e discos de poeira metálica ao redor de anãs brancas distantes.
A nova modelagem explica por que esses sistemas exibem tanta matéria em decomposição precoce: planetas e asteroides não esperam o repouso final da estrela para se despedaçar; o próprio processo de morte do astro-rei funciona como uma centrífuga cósmica que desmonta a arquitetura planetária ao longo do caminho.


