
Uma densa camada de fumaça voltou a cobrir a capital amazonense nesta sexta-feira (16), colocando Manaus no topo do ranking nacional de poluição atmosférica. O agravamento das queimadas florestais na Região Metropolitana e no interior do Amazonas degradou os índices respiratórios, forçou a paralisação de atividades escolares e mobilizou forças emergenciais de saúde e combate a incêndios.
Índices Críticos e Ar Classificado Como “Péssimo”
Monitoramentos em tempo real realizados pela plataforma internacional IQAir e pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram níveis severos de concentração de material particulado fino ($PM_{2,5}$) em praticamente todas as zonas da cidade.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o sistema Selva estabelecem até $25\ \mu\text{g/m}^3$ como limite para um ar considerado bom, diversas estações da capital ultrapassaram marcas críticas ao longo do dia, atingindo faixas classificadas entre muito ruim e péssimo. A ausência de chuvas volumosas combinada aos ventos regionais facilitou o represamento dos poluentes sobre o perímetro urbano.
Suspensão de Aulas e Rotina Afetada
O impacto da poluição alterou diretamente o funcionamento de serviços essenciais na capital:
- Educação básica e superior: As aulas presenciais da rede municipal de ensino foram suspensas preventivamente. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e unidades do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) também interromperam atividades acadêmicas presenciais nos três turnos, migrando expedientes administrativos para o trabalho remoto.
- Atividades ao ar livre: Programas esportivos, escolinhas de futebol e aulas de corrida em parques municipais foram paralisados temporariamente para evitar exposição direta de jovens e atletas à fumaça tóxica.
- Apoio médico e grupos de risco: Unidades básicas de saúde e prontos-socorros registraram aumento na procura por atendimentos ligados a crises respiratórias, irritação nos olhos e tosse crônica. Equipes da Força Nacional do SUS atuam em cooperação com o estado no monitoramento dos municípios mais afetados.
Queimadas Disparam no Amazonas
O cenário crítico em Manaus é reflexo direto da estiagem prolongada e da escalada de focos de incêndio florestal. De acordo com dados do Painel do Fogo (Censipam), o estado contabilizou cerca de 1,6 mil focos de calor nos primeiros 14 dias de outubro — uma alta superior a 270% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O governo estadual decretou situação de emergência em dezenas de municípios. Em resposta, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério da Defesa intensificaram operações conjuntas, mobilizando aeronaves de combate (incluindo modelos Air Tractor e KC-390 cargueiro para lançamento de água) e brigadistas para conter as chamas em áreas de mata e terras indígenas.
Recomendações à População
Especialistas em saúde e órgãos de defesa civil orientam que os moradores adotem medidas de proteção imediata:
- Evitar exercícios ao ar livre: Práticas esportivas e permanência prolongada em vias públicas devem ser restritas.
- Uso de máscaras de alta retenção: Máscaras do tipo N95/PFF2 são indicadas para filtrar partículas microscópicas de fuligem.
- Hidratação e ambientes fechados: Manter janelas e portas vedadas durante os horários de maior concentração de fumaça e intensificar o consumo de água, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com histórico de asma ou bronquite.


