
Familiares de policiais militares custodiados no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no km 8 da rodovia BR-174, em Manaus, denunciaram um clima de tensão generalizada e ameaças de morte contra os agentes após uma tentativa de motim registrada na unidade prisional. Temendo um massacre nos mesmos moldes de episódios históricos do sistema penitenciário amazonense, parentes exigem a transferência imediata de todo o efetivo policial para o Comando Geral da PM ou para um batalhão específico de custódia.
O estopim ocorreu durante uma rebelião contida por agentes do Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) e policiais de choque. Embora a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) afirme que a situação foi controlada sem fugas ou mortes, o ambiente interno permanece instável.
Relatos de desespero e vulnerabilidade
Membros de facções criminosas que controlam alas vizinhas teriam jurado os policiais de morte durante os confrontos, aproveitando brechas na triagem e falhas estruturais provocadas pelo tumulto.
- Vulnerabilidade física: Parentes relatam que as celas destinadas aos militares ficam perigosamente próximas aos pavilhões dominados pelo crime organizado, com riscos reais de invasão em caso de novo motim.
- Ameaças verbais e bilhetes: Familiares que foram ao complexo em busca de notícias afirmam ter recebido recados diretos de outros internos, alertando que os PMs serão os primeiros alvos se a rotina for rompida novamente.
- Isolamento e falta de comunicação: As visitas foram suspensas preventivamente, impedindo que as famílias obtenham informações detalhadas sobre a integridade física dos agentes.
Cobrança institucional
Representantes das associações de praças e advogados de defesa protocolaram pedidos de providências junto à Vara de Execuções Penais (VEP) e à Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM. A defesa alega que o Artigo 295 do Código de Processo Penal e a Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares garantem a prisão em quartel ou prisão especial, separada dos demais presos comuns, condição que estaria comprometida no Compaj.
A Seap informou, por meio de nota oficial, que mantém a segurança do local reforçada por tropas de elite, que os policiais estão alojados em uma ala isolada e que medidas administrativas estão em curso para avaliar a viabilidade logística de eventuais remanejamentos.
A pressão sobre as autoridades de segurança pública do Amazonas aumenta à medida que comissões de familiares permanecem concentradas na entrada do presídio e na sede do Ministério Público Estadual (MPE-AM), aguardando uma decisão antes que uma nova rebelião resulte em tragédia.
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