Canal bilateral foi formalizado em encontro ministerial em Milwaukee e busca construir soluções para sobretaxas impostas por Washington.

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos acertaram a criação de um grupo de trabalho específico com a missão de negociar entraves comerciais e discutir alternativas às sobretaxas tarifárias aplicadas por Washington contra produtos brasileiros. O canal bilateral foi formalizado em reunião presencial realizada à margem do encontro ministerial de comércio do G20, em Milwaukee (EUA), reunindo autoridades diplomáticas e de comércio exterior de ambos os países.
O encontro deu sequência a uma série de contatos retomados após diálogo telefônico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. As tratativas haviam avançado por videoconferência nas semanas anteriores e culminaram na decisão de estruturar uma mesa técnica permanente para avaliar soluções e prevenir novos desgastes no fluxo bilateral.
Origem do impasse e escopo das conversas
O foco central das discussões é o pacote tarifário anunciado pelos EUA com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana — incluindo sobretaxas adicionais de 25% sobre itens selecionados, além de taxas adicionais de 10% a 12,5% atreladas a exigências regulatórias. Segundo avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas atingem parcelas expressivas da pauta exportadora brasileira.
A pauta definida para o grupo de trabalho não se limitará a tarifas:
- Barreiras tarifárias: Revisão de alíquotas adicionais e cronogramas de vigência.
- Medidas não tarifárias: Ajustes em exigências fitossanitárias, regras de origem e normas trabalhistas/ambientais.
- Segurança jurídica e investimentos: Proteção às cadeias produtivas integradas — empresas brasileiras somam quase US$ 40 bilhões em investimentos diretos no mercado norte-americano, sustentando mais de 100 mil empregos locais.
Próximos passos
Como compromisso imediato, o governo dos Estados Unidos apresentará nas próximas semanas um documento formal com a proposta de escopo e cronograma dos trabalhos. A partir desse texto-base, equipes técnicas de Brasília e Washington passarão a realizar reuniões periódicas para construir acordos pontuais e mitigar prejuízos a setores da indústria e do agronegócio.
Diplomatas brasileiros classificaram a reunião inicial como construtiva, destacando que a institucionalização do grupo garante previsibilidade e mantém a diplomacia econômica ativa, evitando respostas retaliatórias imediatas e priorizando o diálogo técnico.


