Conheça as propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para a segurança pública

Candidatos à Presidência apresentam visões distintas para o setor, divergindo entre ampliação da coordenação federal integrada e foco no endurecimento penal com vigilância em massa.

Foto: Reprodução

A segurança pública consolidou-se como um dos temas mais centrais e polarizados do debate eleitoral. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva aposta na reestruturação do papel da União por meio de reformas constitucionais e cooperação federativa; de outro, Flávio Bolsonaro prioriza o endurecimento da legislação penal, reforço militarizado nas fronteiras e monitoramento eletrônico ostensivo.

A seguir, veja os principais contrastes e planos dos concorrentes para o setor:

Crime organizado e gestão federativa

  • Lula: Defende a aprovação da PEC da Segurança Pública para conferir à União competências constitucionais de coordenação e integração com estados e municípios. Com isso, planeja criar um Ministério da Segurança Pública autônomo. Sua estratégia foca em asfixiar o crime organizado pelas finanças (lavagem de dinheiro), combater o tráfico de armas, ampliar o uso de câmeras corporais em policiais e retomar territórios dominados por facções unindo policiamento com urbanização e serviços básicos.
  • Flávio Bolsonaro: Propõe a prisão de lideranças, intervenções táticas de inteligência e o projeto “Muralha Brasileira” — sistema nacional de reconhecimento facial com previsão de instalar mais de 1 milhão de câmeras em espaços públicos, portos e aeroportos. Defende ainda consórcios com estados e prefeituras para fornecer armamento de ponta às polícias e investimentos em tecnologia.

Fronteiras e Amazônia

  • Lula: Foca no fortalecimento do patrulhamento aéreo e fluvial nas calhas dos rios e fronteiras da Amazônia Legal, combinando inteligência policial integrada com ações diplomáticas junto a países vizinhos por meio da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica).
  • Flávio Bolsonaro: Propõe a estruturação do Sistema Nacional de Fronteira, criando uma força de elite com militares do Exército, Marinha e Aeronáutica equipados com “armas de guerra” e drones para interceptar fuzis e entorpecentes em acessos terrestres e terminais logísticos.

Legislação penal e sistema prisional

  • Lula: Prioriza a modernização e bloqueio de comunicações ilícitas nos presídios, a capacitação de agentes penais e o isolamento de lideranças em unidades federais, além da criação de um Centro Nacional de Inteligência Penal.
  • Flávio Bolsonaro: Defende o endurecimento das penas e alterações legislativas profundas: redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, responsabilização criminal a partir dos 14 anos para atos análogos a crimes hediondos, fim da progressão de regime para crimes graves e castração química para condenados por violência sexual. No âmbito carcerário, planeja abrir 500 mil vagas estaduais e erguer cinco novos presídios federais de segurança máxima.

Crimes do cotidiano e patrimônio

  • Lula: Aposta no fortalecimento tecnológico preventivo, ampliando o programa Celular Seguro, cruzando bases restritivas de aparelhos roubados e intensificando investigações contra receptadores e estelionatos digitais.
  • Flávio Bolsonaro: Propõe quadruplicar a pena inicial para os crimes de furto, roubo e receptação de celulares, retirando a concessão de benefícios penitenciários para esses casos.

Violência contra a mulher

  • Lula: Prevê a entrega de dezenas de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, expansão das Salas Lilás nas delegacias, aceleração de medidas protetivas e suporte à autonomia financeira de vítimas.
  • Flávio Bolsonaro: Propõe ampliação do monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas e o lançamento da plataforma ClarIA, assistente virtual 24 horas para agilizar denúncias e concessão de ordens de restrição.
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