
Uma força-tarefa integrada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério da Fazenda resultou na derrubada de 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas online. A medida integra o cerco federal contra plataformas que tentam burlar normas e restrições vigentes, mantendo operações ativas e atraindo apostadores por meio de redes digitais clandestinas.
Os dados foram levantados pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O monitoramento identificou que operadores de jogos de azar e apostas de quota fixa vinham migrando a captação de clientes para canais fechados, redes sociais e redirecionamento por domínios espelho.
Redes de anúncio e migração para o Telegram
Além do bloqueio dos domínios, o Ciberlab mapeou ecossistemas de divulgação montados para contornar a fiscalização oficial. O rastreamento revelou que a divulgação irregular persistia em grandes plataformas:
- Aplicativos de mensagens: Identificação de dezenas de canais e grupos em plataformas como o Telegram, reunindo centenas de milhares de usuários para distribuição direta de links de apostas ilegais.
- Redes sociais e buscadores: Veiculação de anúncios em plataformas da Meta e do Google. O levantamento apontou o uso de links mascarados, identidades dissimuladas e páginas de redirecionamento, estratégias adotadas para esconder o destino final do tráfego e impedir a identificação imediata dos anunciantes.
Convocação de big techs e atuação com Anatel
Para fechar o cerco à publicidade ilícita, o governo federal deve convocar representantes de grandes empresas de tecnologia (big techs) para uma reunião técnica. O objetivo é cobrar ferramentas mais assertivas de moderação para detectar anúncios que operam com links camuflados e exigência de transparência sobre o histórico de veiculação das campanhas pagas.
A estratégia de contenção opera em conjunto com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), responsáveis por executar o bloqueio técnico de acesso e impedir que novos domínios substituam as páginas retiradas do ar.
Segundo o Ministério da Justiça, o monitoramento continuará de forma ininterrupta para evitar que a oferta de apostas não autorizadas se dissemine por aplicativos paralelos ou servidores hospedados fora do país.


