Idoso sobrevive dois dias perdido em mata fechada no Amazonas à base de água de igarapé e coco

Foto: Reprodução

MANAUS (AM) — Uma jornada de resistência e conhecimento prático da selva teve um desfecho positivo no interior do Amazonas. Um idoso de 68 anos, dado como desaparecido após se afastar de sua propriedade em uma comunidade rural na Região Metropolitana de Manaus, foi resgatado com vida após passar cerca de 48 horas perdido em uma área de floresta densa. Para sobreviver, ele utilizou recursos naturais básicos: bebeu água corrente de igarapé e se alimentou de cocos encontrados no solo.

O homem havia saído no início da manhã de sábado para verificar cercas e coletar sementes nas proximidades de sua casa, mas acabou perdendo o senso de orientação após desviar da trilha principal para evitar uma área alagada. Sem conseguir encontrar os pontos de referência habituais, ele adentrou um trecho de mata virgem.

Conhecimento caboclo e instinto de sobrevivência

Ao perceber que a noite caía e que qualquer tentativa de deslocamento aumentava o risco de acidentes com animais peçonhentos ou quedas em buracos, o idoso tomou a decisão de permanecer próximo a um curso d’água.

“Eu percebi que andar sem rumo só me cansaria mais rápido e me afastaria ainda mais de casa. Encontrei um igarapé pequeno, de água limpa, e decidi não sair de perto dele”, relatou o idoso aos socorristas.

Durante os dois dias em que esteve isolado, ele racionou energia:

  • Hidratação constante: Consumiu apenas água corrente do igarapé para evitar a desidratação sob as altas temperaturas e a umidade da floresta tropical.
  • Alimentação alternativa: Encontrou frutos caídos, principalmente cocos de palmeiras nativas, que quebrou com a ajuda de pedras e raízes para extrair a polpa e a água.
  • Abrigo provisório: Montou um leito seco com folhas secas de palmeira para se proteger da umidade do solo e de insetos durante as noites de chuva.

O resgate

Familiares acionaram o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e organizaram buscas com moradores locais, que conhecem a geografia da região. Na manhã do segundo dia de buscas, cães farejadores e rastreadores nativos identificaram galhos quebrados e pegadas na margem do curso d’água, a cerca de quatro quilômetros do ponto inicial de desaparecimento.

O idoso foi encontrado consciente, com pequenas escoriações nos braços e pernas provocadas pela vegetação espinhosa, além de sinais leves de desidratação. Ele recebeu os primeiros socorros no local e foi levado a uma unidade de pronto atendimento próxima para hidratação venosa e exames de rotina, sendo liberado em seguida para retornar ao convívio da família.

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