Justiça liberta a ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Manaus

Foto: Reprodução

O ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liberdade a Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Manaus, David Almeid. Ela foi presa em fevereiro durante a operação Erga Omnes que apura a atuação de um suposto núcleo político e financeiro ligado ao crime organizado no estado.

Na decisão, o ministro do STJ entendeu que não havia elementos suficientes para manter Anabela Freitas presa preventivamente, especialmente diante do encerramento da investigação, da ausência de indicação de risco atual à produção de provas e da necessidade de melhor individualização das condutas atribuídas a ela.

O ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liberdade a Anabela Cardoso Freitas. A decisão foi assinada na noite desta quinta-feira, 14, em Brasília e a soltura deve acontecer ainda nesta sexta-feira.

Na decisão, o ministro do STJ entendeu que não havia elementos suficientes para manter Anabela Freitas presa preventivamente, especialmente diante do encerramento da investigação, da ausência de indicação de risco atual à produção de provas e da necessidade de melhor individualização das condutas atribuídas a ela.

O caso

A Polícia Civil do Amazonas investigou um esquema de tráfico de drogas ligado ao Comando Vermelho e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e a ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante), Anabela Cardoso Freitas. Anabela é suspeita de integrar um grupo que utilizava empresas de fachada para adquirir drogas da Colômbia e levá-las a capital amazonense, com movimentações financeiras que chegam a R$ 70 milhões desde 2018.

Além dela, são investigadas pessoas que compõem um “núcleo político” da facção, com suspeitos que possuem acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Cerca de 14 pessoas foram detidas, sendo oito no Amazonas. Também há servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.

Anabela é formada em direito pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), em 2004, e pós-graduada em Segurança Pública e Inteligência Policial pela Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), em 2012. Desde 2011, ela é investigadora da própria Polícia Civil do estado, com salário estimado em R$ 20.923,69 em 2025.

A advogada foi cedida para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas em 2015, com dedicação exclusiva, atuando como assessora da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).

A partir de 2019, passou a trabalhar como chefe de gabinete do então prefeito Arthur Virgílio Neto (MDB). Ela foi exonerada da função, já sob a gestão de David Almeida, em 2023, conforme publicado no Diário Oficial da capital amazonense no dia 31 de outubro.

Em janeiro de 2025, Anabela foi designada para a Comissão de Licitação da Prefeitura, nomeada por Almeida, cargo no qual permanece.

Na ocasião, a Prefeitura de Manaus ressaltou que o prefeito e a estrutura administrativa não fazem parte das investigações. A gestão municipal condenou o que definiu como “narrativas mentirosas” propagadas por setores da política como o objetivo de “distorcer os fatos”.

“É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos”, disse o comunicado do município na época.

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