Motos caem, carros batem e ônibus não sobem: o mistério da ladeira que viralizou em Manaus

Foto: Reprodução

Um trecho íngreme que virou dor de cabeça para quem dirige e entretenimento involuntário nas redes sociais: uma ladeira localizada na Zona Norte de Manaus transformou-se no mais novo fenômeno da internet após dezenas de vídeos flagrarem veículos patinando, derrapando e colidindo ao tentar vencer a subida.

As imagens mostram motociclistas perdendo o equilíbrio em baixa velocidade, carros de passeio descendo de ré sem controle e coletivos do transporte público travando no meio do trajeto, obrigando passageiros a descerem para aliviar o peso.

O que explica o “efeito sabão”?

Especialistas em engenharia de tráfego e moradores apontam uma combinação de fatores estruturais e ambientais para explicar o perigo constante da via:

  • Geometria agressiva: A inclinação acentuada da via supera os padrões ideais de aclive para tráfego urbano pesado, exigindo tração máxima dos motores logo no início da arrancada.
  • Microcamada de limo e calor: O clima úmido e quente de Manaus favorece o acúmulo de musgo e poeira fina nos poros do asfalto, criando uma película escorregadia ao menor sinal de garoa ou umidade matinal.
  • Resíduos mecânicos: Como muitos veículos sofrem para subir, o desgaste forçado de motores e transmissões aumenta o vazamento de óleo e fuligem de pneus na pista, agravando a falta de aderência.
  • Freadas bruscas por insegurança: O receio de colidir faz com que motoristas reduzam a velocidade no pior ponto da subida, cortando o embalo necessário e provocando derrapagens imediatas.

A rotina de quem mora na ladeira

Para os vizinhos, o ponto turístico digital é, na verdade, um risco diário à segurança residencial. Muros com marcas de para-choques e calçadas danificadas já fazem parte do cenário. Moradores relatam que os barulhos de pneus cantando e buzinas de alerta são constantes, principalmente nos horários de pico.

“A gente já escuta o motor forçando e sabe que vem batida. Quando chove, ninguém desce nem sobe, vira um tobogã de lata”, relata um morador da área.

Enquanto o trecho segue acumulando visualizações e memes nas redes, moradores aguardam intervenções do poder público, como a aplicação de asfalto com ranhuras antiderrapantes (grooving), redutores de velocidade no topo ou a alteração temporária do sentido da via para mão única em declive.

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