
Dados da OCDE revelam forte mobilização ecológica dos jovens de 15 anos no país, mas apontam disparidade entre a consciência cívica e o domínio prático dos conceitos de ciências ambientais.
Os estudantes brasileiros de 15 anos despontam entre os mais conscientes e comprometidos com a preservação ecológica no cenário internacional. É o que apontam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado com foco principal na área de Ciências.
O relatório destacou que a juventude escolar brasileira expressa um sentimento agudo de responsabilidade climática e confiança no impacto das ações coletivas e individuais.
O que dizem os números no Brasil
- Capacidade de transformação: 84% dos estudantes brasileiros afirmaram acreditar que suas próprias atitudes podem gerar impactos positivos diretos para o meio ambiente.
- Ação coletiva: 87% declararam confiar na força da mobilização comunitária e social para frear desastres ambientais e promover a conservação.
- Posicionamento global: Os índices colocam os alunos do Brasil significativamente acima da média observada entre nações desenvolvidas que compõem a OCDE quando o tema é motivação e protagonismo jovem frente à crise climática.
O desafio do letramento ambiental
Apesar do elevado interesse e engajamento sociopolítico com a pauta verde, a avaliação revelou um contraste importante no que se refere ao domínio teórico e científico dos fenômenos biológicos e climatológicos.
Na subescala inédita de Ciências Ambientais do Pisa 2025 — projetada para mensurar a capacidade do aluno de interpretar evidências científicas, analisar sistemas ecológicos e propor soluções embasadas —, apenas 49% dos estudantes brasileiros atingiram ao menos o nível 2 de proficiência básica. Entre as nações da OCDE, essa proporção alcança 74%.
Especialistas e educadores ressaltam que os dados mostram um terreno fértil nas escolas: a nova geração já possui a sensibilidade e a vontade de agir, cabendo agora às políticas educacionais fornecer o instrumental técnico e o aprofundamento científico necessário para converter essa mobilização em soluções práticas.


