
As primeiras aeronaves enviadas pelo governo federal para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas pousaram em Manaus. O pacote aéreo — coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) — integra a força-tarefa mobilizada para conter a proliferação de focos de fogo no interior e reduzir a espessa névoa de fuligem que sufoca a capital e municípios vizinhos.
A chegada dos equipamentos ocorre logo após uma semana de atritos institucionais e trocas de acusações entre o comando do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e órgãos federais sobre a agilidade e a concessão de apoio logístico para o estado.
A estrutura mobilizada e o perfil da frota
O plano operacional contempla aviões de lançamento direto de água e helicópteros multiúso destinados ao suporte tático e transporte de pessoal em regiões de mata fechada
- Aviões agrícolas adaptados (Air Tractor): Aeronaves projetadas para despejo concentrado de água e retardantes sobre as copas das árvores, com capacidade média de lançamento entre 1,8 mil e 3 mil litros por carga conjunta.
- Helicópteros operacionais: Unidades de asa rotativa do Ibama alocadas no transporte ágil de brigadistas, abastecimento de água via helibaldes (bambi buckets) e envio de mantimentos a áreas remotas.
- Mobilização terrestre: Além da frota aérea, a força-tarefa federal conta com o suporte e a integração de cerca de 290 brigadistas do Prevfogo e agentes de campo em frentes ativas de combate.
Distribuição tática e metas operacionais
Com a chegada das aeronaves aos aeroportos de Manaus (Eduardo Gomes e Ponta Pelada), a distribuição estratégica dos recursos aéreos foi desenhada para priorizar áreas críticas que alimentam a mancha de fumaça:
A superintendência do Ibama prevê que, com a atuação aérea ininterrupta aliada às brigadas terrestres, seja possível registrar uma redução sensível nos índices críticos de poluição do ar em Manaus e arredores dentro de três a quatro dias.
Desafio logístico e resposta integrada
A atuação das aeronaves representa um alívio pontual indispensável para conter o avanço do fogo sobre o dossel da floresta, onde as equipes terrestres têm acesso severamente limitado por causa da geografia acidentada e da seca dos rios.
As autoridades estaduais e federais trabalham agora para alinhar os planos de voo por meio de uma sala de situação integrada, buscando superar o desgaste político recente e concentrar os esforços no controle dos mais de 20 grandes focos ativos que castigam o estado.


