
O avanço da estiagem no Amazonas levou 22 municípios a decretarem situação de emergência, segundo o mais recente boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado. A redução acentuada no nível das principais bacias hidrográficas já afeta o abastecimento de água potável, a navegação de embarcações comerciais e o transporte de insumos básicos para comunidades isoladas.
Bacias mais afetadas e isolamento logístico
A vazante atinge com maior intensidade as calhas dos rios Juruá, Purus, Madeira e Alto Solimões. Com a formação de bancos de areia e o surgimento de pedrais, trechos críticos de navegação registraram restrições de calado, impedindo a passagem de balsas de grande porte que transportam combustível, alimentos e medicamentos.
Entre as principais consequências registradas nas cidades atingidas estão:
- Desabastecimento pontual: Dificuldade logística para atracação de cargas nos portos municipais e aumento nos prazos de entrega de mercadorias.
- Acesso à água e saúde: Comunidades rurais e ribeirinhas enfrentam problemas para captação de água potável devido ao recuo das margens e ao aumento da turbidez dos rios.
- Impacto na educação: Em áreas ribeirinhas, linhas de transporte escolar fluvial foram suspensas temporariamente onde os barcos não conseguem mais navegar, afetando o calendário de aulas.
Ações de resposta e ajuda humanitária
O reconhecimento do estado de emergência permite que as administrações municipais e o governo estadual acessem recursos extraordinários para resposta rápida. As medidas emergenciais coordenadas pelo comitê de crise incluem:
- Distribuição de cestas básicas e água: Envio de embarcações de menor calado carregadas com kits de alimentos e purificadores de água para as calhas mais críticas.
- Instalação de poços e purificadores comunitários: Apoio técnico para perfuração de poços artesianos e fornecimento de sistemas móveis de tratamento de água em pontos estratégicos.
- Monitoramento hidrometeorológico contínuo: Acompanhamento diário da cota dos rios em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) para antecipar novos trechos de risco e apoiar planos de evacuação ou assistência preventiva.
A Defesa Civil mantém equipes em campo prestando apoio técnico às prefeituras para o preenchimento dos formulários do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), etapa necessária para a liberação de aportes financeiros complementares por parte do governo federal.


