
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a realização de exames preventivos de saúde pelo público masculino durante evento oficial do governo federal. Ao abordar o preconceito em torno do exame de toque retal para detecção precoce do câncer de próstata, o presidente criticou a resistência dos homens e comparou o procedimento aos exames ginecológicos realizados regularmente pelas mulheres.
Em seu discurso, Lula afirmou que o tabu masculino diante do exame é infundado e que as mulheres demonstram maior disciplina e naturalidade com o autocuidado preventivo.
A declaração sobre exames preventivos
Ao defender que campanhas públicas incentivem os homens a superarem preconceitos culturais, o presidente comparou a conduta masculina à feminina:
“O homem tem vergonha de fazer exame de próstata. É uma bobagem. A mulher aprende a tomar toque desde pequena, faz preventivo a vida inteira e não fica com frescura. O homem precisa entender que cuidar da saúde não tira a masculinidade de ninguém.”
Lula ressaltou ainda que o diagnóstico precoce salva vidas e que grande parte das complicações graves e mortes decorrentes do câncer de próstata decorre da demora na procura por atendimento médico especializado.
Repercussão e contexto médico
A declaração gerou debates nas redes sociais e entre lideranças políticas. Enquanto apoiadores enfatizaram o objetivo da mensagem — combater o estigma masculino e promover a saúde pública —, críticos apontaram que a analogia utilizada foi inadequada para descrever exames ginecológicos e preventivos femininos, como o Papanicolau e exames obstétricos, que envolvem protocolos clínicos específicos e demandam ambiente de respeito e consentimento.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA):
- O câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente entre os homens no Brasil (atrás apenas do câncer de pele não melanoma).
- A indicação regular de rastreamento com PSA (exame de sangue) e toque retal é recomendada a partir dos 50 anos para a população geral, e a partir dos 45 anos para homens negros ou com histórico familiar da doença.
- Quando identificado em estágios iniciais, o câncer de próstata atinge taxas de cura superiores a 90%.


