Anvisa aprova novo medicamento para tratamento de câncer de pulmão avançado

Emrelis (telisotuzumabe vedotina) atua como terapia-alvo para pacientes adultos com tumor de não pequenas células e superexpressão da proteína c-Met.

Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo fármaco para o tratamento do câncer de pulmão em estágio avançado ou metastático. Trata-se do Emrelis (telisotuzumabe vedotina), uma terapia-alvo voltada a pacientes adultos diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) que apresentem alta superexpressão da proteína c-Met e já tenham passado por outros tratamentos anteriores.

A aprovação representa uma nova alternativa terapêutica para um cenário clínico desafiador. Em casos de doença localmente avançada ou com metástase, as opções de tratamento após a progressão a regimes convencionais de quimioterapia e imunoterapia costumam ser escassas, conferindo um prognóstico delicado ao paciente.

Como funciona o medicamento

O telisotuzumabe vedotina pertence à classe dos conjugados anticorpo-medicamento (ADCs, na sigla em inglês). Esse tipo de tecnologia funciona como uma espécie de “míssil teleguiado”:

  1. Reconhecimento tumoral: O anticorpo liga-se especificamente à proteína c-Met presente na superfície das células cancerígenas.
  2. Entrega direta: Uma vez acoplado, o composto libera o agente citotóxico diretamente no interior da célula tumoral, preservando com maior eficácia os tecidos saudáveis adjacentes.
  3. Administração: A terapia é aplicada via infusão intravenosa periódica, conforme protocolo médico.

Por se tratar de um medicamento de precisão, o uso do Emrelis não é universal para todos os diagnósticos de tumor pulmonar. A indicação clínica requer a realização de exame anatomopatológico/molecular prévio que confirme a superexpressão de c-Met no tecido tumoral.

Eficácia clínica

Os ensaios clínicos avaliados pela agência demonstraram respostas consistentes na população com a alteração molecular específica:

  • Taxa de resposta objetiva global: Em torno de 29,2% na população geral de pacientes avaliada no estudo.
  • Pacientes com alta expressão de c-Met: A taxa de resposta atingiu 34,5%, com duração prolongada da estabilização e controle tumoral.

O câncer de pulmão segue como uma das principais causas de óbito por neoplasias no Brasil e no mundo. A ampliação do arsenal de terapias-alvo no país reforça a transição da oncologia para tratamentos individualizados baseados no perfil genético e molecular do tumor, permitindo maior sobrevida e controle da enfermidade mesmo em estágios avançados.

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