
Investigações apontam que organização criminosa despachava entorpecentes em voos comerciais a partir do terminal aéreo e utilizava plataformas de apostas online para dissimular os lucros ilícitos.
A Polícia Federal deflagrou uma operação para desarticular um esquema criminoso interestadual que utilizava o terminal aéreo no Amazonas como rota logística para o envio de drogas a outras regiões do país. A ofensiva cumpriu mandados judiciais e resultou na prisão de duas pessoas apontadas como peças-chave na engrenagem de transporte e lavagem de capitais do grupo.
De acordo com as apurações da corporação, a organização criminosa recrutava intermediários e utilizava métodos sofisticados para burlar os sistemas de inspeção aeroportuária, camuflando entorpecentes em bagagens despachadas e cargas aéreas com destino a grandes centros urbanos do Brasil.
Modus Operandi e Lavagem Digital
Além da rota logística estruturada a partir do estado, a investigação revelou um esquema financeiro voltado a mascarar a origem do capital obtido com o tráfico. Para limpar os recursos gerados pela atividade ilícita, os integrantes recorriam a plataformas de apostas esportivas e jogos virtuais (bets).
O mecanismo consistia em depositar vultosas quantias oriundas da venda de drogas em contas de apostas abertas em nome de “laranjas” e empresas de fachada. Após pequenas movimentações simuladas ou apostas casadas de baixo risco, os valores eram resgatados formalmente como supostos prêmios ou lucros de palpites, integrando o dinheiro ao sistema financeiro tradicional com aparência de legalidade.
Bloqueio Patrimonial e Próximos Passos
Durante a ação, além das prisões preventivas, foram executadas ordens de busca e apreensão para recolher aparelhos eletrônicos, documentos contábeis e mídias de armazenamento. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias vinculadas aos alvos e a retenção de ativos financeiros custodiados nas plataformas de apostas sob suspeita.
O material apreendido será periciado para mapear novos elos da rede, eventuais facilitadores operacionais que atuavam nas dependências do aeroporto e outros beneficiários da estrutura de lavagem de dinheiro. Os detidos respondem por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, permanecendo à disposição do Poder Judiciário.


