Ação nacional reúne bancos, financeiras e órgãos de defesa do consumidor para oferecer descontos de até 90% e prazos facilitados a pessoas físicas e jurídicas.

Com a proximidade do final do ano e a entrada da primeira parcela do 13º salário na economia, começa em 1º de novembro o Mutirão Nacional de Renegociação de Dívidas e Orientação Financeira. Promovida em conjunto pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Banco Central do Brasil, Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e Procons de todo o país, a iniciativa busca reduzir os índices de inadimplência e facilitar a recuperação de crédito para milhões de brasileiros.
Durante todo o mês de novembro, consumidores negativados ou em atraso com instituições financeiras poderão firmar acordos com condições diferenciadas, incluindo abatimento expressivo sobre juros de mora, descontos no valor principal para pagamento à vista e opções de parcelamento alongado.
Quais dívidas podem ser negociadas?
O mutirão é voltado principalmente para dívidas bancárias em atraso contratadas sem garantia de bens, tais como:
- Faturas de cartão de crédito;
- Cheque especial e contas correntes no vermelho;
- Empréstimos pessoais e crédito consignado;
- Financiamentos de consumo geral.
O que fica de fora: Débitos com garantia real (como financiamento imobiliário e de veículos), contratos com repasse de recursos públicos, dívidas com concessionárias de serviços básicos (água, luz e gás) e tributos fiscais federais, estaduais ou municipais não entram nas regras gerais do mutirão bancário — embora alguns Procons locais mantenham mesas de negociação paralelas para contas de consumo.
Canais oficiais de atendimento
Para evitar filas e garantir conveniência, a negociação ocorre majoritariamente em ambientes digitais:
- Plataforma Consumidor.gov.br: Principal canal público de mediação. O usuário acessa com sua conta gov.br (nível prata ou ouro), seleciona a instituição financeira credora e formaliza a solicitação na aba de renegociação. O banco tem prazo estipulado por lei para apresentar a contraproposta.
- Canais próprios dos bancos: Aplicativos bancários, centrais telefônicas oficiais e gerências de agências físicas estarão operando com tabelas especiais de repactuação ao longo de todo o mês.
- Rede de Procons: Consumidores que encontram dificuldades com ferramentas digitais ou pessoas enquadradas no perfil de superendividamento podem buscar atendimento presencial nos postos do Procon de sua cidade para acompanhamento técnico.
Passo a passo para fechar um acordo seguro
Antes de aceitar a primeira oferta do credor, especialistas em educação financeira recomendam um planejamento prévio em quatro etapas:
- Mapeie o orçamento doméstico: Calcule com precisão qual valor mensal cabe no bolso sem comprometer despesas essenciais (moradia, alimentação e saúde). Não assuma parcelas que superem essa margem.
- Priorize dívidas mais caras: Foque primeiro em débitos atrelados às taxas mais altas do mercado, como rotativo do cartão e cheque especial.
- Avalie pagamento à vista vs. parcelado: Se tiver reserva financeira ou acesso ao 13º salário, proponha quitação única, modalidade onde os credores concedem os maiores percentuais de redução do montante original.
- Atenção contra golpes: Desconfie de mensagens não solicitadas recebidas via WhatsApp ou SMS com ofertas de “limpa nome” milagrosas. O mutirão não cobra taxa prévia de intermediação, e boletos de quitação devem ser emitidos exclusivamente pelos canais oficiais do credor ou pelas plataformas do governo.

