Termo conjunto autoriza levantamento de dados bancários, fiscais e telefônicos; petistas cobram divulgação simultânea, enquanto equipe do senador quer analisar dados antes.

As campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um termo de acordo para a abertura mútua de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O compromisso inclui também registros de pessoas próximas e empresas ligadas aos dois candidatos. Apesar da assinatura conjunta, os bastidores continuam sob forte tensão devido a divergências sobre o rito e o cronograma de liberação dos documentos.
O embate teve início durante o debate eleitoral da Band, quando os candidatos trocaram acusações e Lula desafiou Flávio a quebrar seus sigilos para demonstrar a evolução de seu patrimônio. Em resposta, o senador do PL apresentou ao TSE uma petição com 19 exigências — cobrando acesso aos dados do petista, de familiares e de aliados próximos, além de registros de voos e reuniões. A equipe jurídica do PT aceitou as condições, mas exigiu contrapartidas, como a inclusão de dados financeiros ligados a negócios e contas no exterior apontados pela defesa do presidente.
O rito da entrega e o impasse nos bastidores
Embora o termo preveja a liberação dos materiais no sistema do DivulgaCand, o protocolo gerou um novo impasse sobre a simultaneidade:
- Posição do PT: A coordenação da campanha de Lula defende a entrega imediata e estritamente simultânea de todas as informações, afirmando que não disponibilizará seus relatórios de forma unilateral caso o adversário não faça o mesmo no mesmo instante.
- Posição do PL: A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que precisa receber e checar primeiro toda a documentação entregue pela equipe do presidente para certificar que nenhum ponto das 19 exigências ficou de fora, antes de autorizar o acesso aos próprios papéis. A campanha do senador escalou técnicos e nomes ligados à antiga operação Lava Jato, como o ex-procurador Deltan Dallagnol, para auditar as informações.
Com o protocolo das petições e autorizações assinado por ambas as frentes, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE, homologar as condições acordadas e deliberar sobre as regras de disponibilização e acesso público aos dados envolvidos na disputa.


