Ex-presidente Santiago Peña é preso no Paraguai após sofrer impeachment em meio a escândalo bancário

Foto: Reprodução

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na noite desta sexta-feira (6), em sua residência em Assunção, por determinação do Ministério Público paraguaio. A ordem de prisão foi executada por agentes da Polícia Nacional poucas horas após o Senado do país aprovar por unanimidade a sua destituição do cargo, no desfecho de uma crise política deflagrada pelo colapso do Ueno Bank.

Peña é alvo de investigações que apuram suspeitas de gestão fraudulenta, quebra de confiança e desvio de recursos públicos ligados ao colapso da instituição financeira. Além do ex-mandatário, promotores decretaram mandados de prisão contra dirigentes do banco e o ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo.

A crise do Ueno Bank e a perda de apoio

A turbulência no país se intensificou no início da semana, quando o Banco Central do Paraguai realizou intervenção no Ueno Bank ao constatar que o patrimônio da instituição havia caído abaixo dos níveis regulatórios mínimos exigidos. A medida bloqueou as contas de milhões de correntistas e desencadeou protestos populares na capital.

A crise atingiu o núcleo do governo diante do histórico societário de Peña com o Grupo Vázquez — conglomerado controlador do banco — e da nomeação de Carvallo, ex-dirigente da própria instituição privada, para chefiar a autoridade monetária que deveria fiscalizá-la.

Isolado politicamente e após perder a sustentação do governista Partido Colorado, Peña chegou a publicar uma carta de renúncia na quinta-feira (5), afirmando buscar estabilidade institucional para a nação. O Congresso Nacional, contudo, optou por não acolher a desistência e prosseguiu com o rito de impeachment.

Julgamento relâmpago e sucessão presidencial

Com a aprovação na Câmara dos Deputados ainda na quinta, o Senado reuniu-se em sessão extraordinária nesta sexta-feira. Os parlamentares rejeitaram o pedido da defesa de Peña por prazo adicional de 72 horas para resposta e confirmaram a cassação definitiva com 44 votos a favor.

A perda do mandato por impeachment retirou de Peña o direito de assumir como senador vitalício — condição que a renúncia lhe asseguraria, conferindo imunidade parlamentar perante a Justiça comum. Sem a prerrogativa de foro, o Ministério Público expediu a ordem de custódia, cumprida logo após o término da sessão legislativa.

Com a vacância, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência da República para completar o período constitucional de mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. Peña permanece sob custódia à disposição das autoridades judiciais enquanto as apurações periciais e contábeis avançam.

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