FVS revela alto índice de mortes violentas indígenas no Amazonas

Foto: Reprodução

Com o objetivo de dar visibilidade e ampliar o acesso a dados sobre a saúde das populações originárias no Amazonas, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgou, nesta quinta-feira (29), um boletim epidemiológico focado em mortalidade e violência no período de 2021 a 2025. O estudo na íntegra está disponível publicamente.

No quinquênio analisado, o estado contabilizou 6.255 óbitos de indígenas. Dentre os registros, as causas externas — categoria que abrange acidentes, agressões e lesões autoprovocadas — lideraram o ranking de mortalidade, somando 1.184 casos (18,9% do total), superando doenças dos aparelhos circulatório e respiratório.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, ressalta a importância do levantamento para o direcionamento estratégico da gestão pública:

“Os dados mostram que a saúde indígena envolve questões que vão além das doenças, como violência e acidentes. Para planejar ações de prevenção e cuidado, é necessário considerar as dificuldades de acesso aos serviços, as características de cada território e as particularidades étnico-culturais dos povos indígenas no Amazonas.”

Perfil Demográfico e Impacto da Violência

Ao analisar o panorama geral de óbitos por todas as causas, os homens representaram 57,8% dos registros, enquanto as mulheres responderam por 42,2%. Em ambas as faixas de gênero, a mortalidade concentrou-se majoritariamente em dois extremos etários: idosos com 80 anos ou mais e crianças menores de 1 ano.

No recorte das 1.184 mortes decorrentes de causas externas, os dados apontam recortes preocupantes:

  • Suicídios: 365 óbitos.
  • Agressões: 270 óbitos.
  • Notificações de Violência: 5.599 casos registrados entre 2021 e 2025.

Foco em Saúde Mental e Prevenção

O levantamento detalha ainda que a ocorrência de lesões autoprovocadas afeta faixas etárias específicas conforme o sexo. O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, reforça a necessidade de abordagens direcionadas em saúde mental:

  • Homens: Concentração de suicídios entre 20 e 29 anos.
  • Mulheres: Prevalência entre jovens de 15 a 19 anos.

“Essas diferenças ajudam a identificar os grupos que precisam de maior atenção e orientar estratégias de prevenção, acolhimento e acompanhamento em saúde mental”, explica Alexsandro Melo.

O boletim — que reúne dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) — enfatiza que as redes de proteção e os serviços de saúde devem atuar na identificação precoce de situações de risco, sempre respeitando a diversidade territorial e cultural de cada povo no Amazonas.

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