Operação Legado: PF e CGU apuram fraudes em contratações públicas e desvio de verbas federais

Ação mira esquema que movimentou cerca de R$ 17 milhões em mais de 30 municípios; Justiça Federal autorizou bloqueio de até R$ 3,4 milhões em bens.

Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira a Operação Legado, voltada a desarticular um esquema de fraudes em licitações e contratações diretas envolvendo verbas federais. O foco principal das irregularidades recai sobre contratos públicos municipais na área da saúde.

Ao todo, equipes cumprem 44 mandados de busca e apreensão distribuídos em 22 cidades de seis unidades federativas: Bahia, Piauí, Espírito Santo, Minas Gerais, Sergipe e o Distrito Federal. As ordens judiciais e as 13 medidas cautelares de caráter patrimonial foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou ainda o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 3,4 milhões.

O modus operandi do esquema

De acordo com as apurações técnicas conduzidas pelos órgãos de controle, empresas investigadas atuavam de forma coordenada e combinada para burlar processos de compras governamentais. Entre as principais práticas identificadas estão:

  • Simulação de concorrência: Uso de propostas combinadas e empresas parceiras para forjar competitividade.
  • Direcionamento e sobrepreço: Manipulação de editais e termos de referência com cobrança de valores acima dos praticados no mercado.
  • Entregas fictícias e adulteradas: Faturamento de produtos não entregues e fornecimento de equipamentos usados maquiados como itens novos.
  • Vantagens indevidas: Identificação de movimentações financeiras atípicas e indícios de pagamento de propina a agentes públicos.

Ao todo, os investigadores analisaram 56 procedimentos de contratação realizados por 31 administrações municipais, somando um volume financeiro estimado em R$ 17 milhões.

Crimes investigados

Entre os alvos da ofensiva estão empresários do setor de suprimentos e equipamentos, além de servidores públicos e ex-gestores municipais.

Os fatos apurados configuram, em tese, os crimes de:

  1. Fraude em licitação e em contrato público;
  2. Peculato e desvio de verbas públicas;
  3. Corrupção ativa e passiva;
  4. Falsidade documental;
  5. Organização criminosa.

Os materiais, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos serão submetidos à perícia técnica para quantificar o dano exato ao erário e delimitar a responsabilidade individual de cada investigado.

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