Prefeito de Coari e ex-secretários passam a usar tornozeleira e ficam proibidos de deixar o país após operação da PF

Medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da Operação Dinastia do Lago, que investiga suspeitas envolvendo contratos públicos do município

Foto: Reprodução

O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), passou a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o país por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida é um desdobramento da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraude em licitações, corrupção, peculato, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. 

Além do monitoramento eletrônico, o prefeito teve o passaporte recolhido. As mesmas medidas cautelares atingem outros investigados, entre eles ex-secretários municipais e empresários ligados à investigação.

Afastamento do cargo

Adail Pinheiro já havia sido afastado da Prefeitura de Coari por 90 dias, por decisão de Alexandre de Moraes, após a operação realizada em 16 de setembro.

Com o afastamento, a presidente da Câmara Municipal, Jeany Pinheiro, irmã do prefeito, assumiu interinamente o comando do município. O vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, também está afastado das funções.

Ex-secretários também são alvo

As medidas judiciais também alcançam ex-secretários municipais e outros investigados. Entre os nomes citados estão Rodrigo Alves de Almeida, Paulo José Franca de Matos, Eduardo Jorge de Oliveira Alves, Denilson Palheta de Souza e Markeyson dos Santos Silva.

Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. Foram apreendidos veículos de luxo, joias, relógios e dinheiro em espécie. Na residência do então secretário municipal da Fazenda, Eduardo Jorge de Oliveira Alves, foram encontrados aproximadamente R$ 400 mil em espécie, segundo a investigação.

Investigação começou após apreensão de R$ 1,25 milhão

A investigação teve origem em maio de 2025, quando três empresários foram presos em flagrante no Aeroporto Internacional de Brasília transportando aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo em um voo que havia saído de Manaus.

A partir da apreensão, a Polícia Federal passou a analisar documentos e dispositivos eletrônicos recolhidos durante a investigação. Segundo os investigadores, o material apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos mantidos pela Prefeitura de Coari.

A apuração também envolve suspeitas de que empresas formalmente diferentes teriam sido utilizadas para simular concorrência em processos licitatórios e direcionar contratações públicas.

Filho do prefeito também é investigado

O deputado federal Adail Filho, filho do prefeito, também é alvo da investigação. Segundo informações apresentadas no processo, a Polícia Federal apura possíveis repasses financeiros feitos por empresas relacionadas aos investigados em benefício de Adail Filho e Adail Pinheiro.

As investigações também analisam recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao município de Coari nos anos de 2024 e 2025.

Defesa

As defesas de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmaram anteriormente que receberam a operação com surpresa e consideraram desnecessário o afastamento do prefeito. Os advogados também destacaram que os investigados não são réus nem possuem condenação relacionada ao caso.

As investigações continuam em andamento. As medidas cautelares determinadas pela Justiça não representam condenação, e os investigados permanecem com direito à defesa e ao contraditório.

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