Consumir apenas uma bebida diária de álcool aumenta o risco de morrer de câncer, alerta pesquisa publicada na revista The Lancet.

Consumir apenas uma bebida por dia eleva o risco de morrer de câncer em adultos, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health — Americas. A análise revelou que as mortes por neoplasias atribuíveis ao consumo de álcool dobraram nas últimas três décadas nos Estados Unidos.
Impacto biológico e tipos de tumores associados
O consumo diário eleva a mortalidade por tumores de mama, cólon, reto, fígado, esôfago, estômago, pâncreas e regiões de cabeça e pescoço. No organismo, o álcool é metabolizado em acetaldeído, um composto químico altamente tóxico com potencial comprovado de danificar o DNA celular.
A ingestão contínua também prejudica a absorção de micronutrientes essenciais na defesa celular, a exemplo das vitaminas A, C, D e folatos. Além disso, a substância atua diretamente na alteração dos níveis hormonais, ampliando a proliferação de células malignas sensíveis ao estrogênio.
Faixas etárias atingidas e avanço em jovens
A taxa de mortalidade associada à substância é mais expressiva entre homens a partir dos 55 anos, grupo no qual o tumor de fígado lidera as perdas. No entanto, o levantamento acendeu um alerta para o avanço acelerado da incidência entre jovens e adultos de 20 a 54 anos.
Nessa faixa etária mais jovem, o câncer colorretal despontou como a principal causa de mortes provocadas por bebidas alcoólicas em homens. Entre mulheres jovens, o tumor de mama permaneceu como a maior ameaça de óbito, seguido pelos tumores do trato gastrointestinal.
Ausência de dose segura segundo especialistas
O estudo liderado por pesquisadores do Sylvester Comprehensive Cancer Center desconstrói a tese de que o consumo moderado oferece benefícios protetivos globais. Especialistas destacam que não existe limiar mínimo seguro de ingestão quando o critério analisado é o desenvolvimento de tumores.
A recomendação das entidades oncológicas internacionais é reduzir o consumo ao menor patamar possível no cotidiano. Pequenas mudanças de hábito e a moderação severa na frequência já diminuem a exposição contínua do organismo aos processos inflamatórios crônicos.


