Vorcaro encomendou ataque hacker durante prisão domiciliar para tentar apagar dados de celular

Investigação aponta que dono do Banco Master tentou deletar remotamente contas no iCloud para barrar perícia da Polícia Federal sobre aparelhos apreendidos.

Foto: Reprodução

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, encomendou uma ofensiva hacker em janeiro para tentar apagar à distância o conteúdo de celulares apreendidos pela Polícia Federal (PF). O episódio ocorreu enquanto o banqueiro cumpria prisão domiciliar em São Paulo. As informações foram reveladas pela revista piauí e confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O objetivo da investida era invadir e formatar contas da Apple (iCloud) vinculadas ao aparelho de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, antes que a perícia da PF concluísse a extração forense dos arquivos. Zettel é apontado nas apurações como operador financeiro de repasses ligados a fundos e empresas do grupo.

Invasão detectada pela força-tarefa

De acordo com as apurações, Vorcaro recorreu a um emissário, o publicitário Thiago Miranda, para intermediar a contratação de um especialista em segurança cibernética. O técnico chegou a obter acesso ao sistema da Apple, mas a manobra de exclusão remota foi flagrada em tempo real pelos agentes da Operação Compliance Zero, que mantinham a custódia física dos telefones há cerca de dois meses e neutralizaram a ação.

A tentativa de obstrução fracassou. Peritos conseguiram extrair os dados, e conversas do banqueiro com interlocutores foram incorporadas aos relatórios do inquérito da Polícia Federal.

Em depoimento prestado à corporação, o profissional de tecnologia contatado negou ter cometido irregularidades ou atuado com intenção de obstruir a Justiça. A defesa de Vorcaro e de Miranda não se manifestaram publicamente sobre o caso.

Histórico de prisões e investigações

Daniel Vorcaro é investigado por crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de bens.

Após ter sido alvo de mandado em novembro de 2025 e obter o benefício da prisão domiciliar temporária, o empresário teve nova prisão preventiva decretada em março de 2026 e segue detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. As novas evidências sobre a tentativa de apagamento de provas devem subsidiar desdobramentos por fraude processual e obstrução de investigação penal.

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